Nada como uma dose extra de baixaria

27 01 2008

Nada como uma dose extra de baixaria

Quando tudo o mais se mostra ineficiente, nada como uma dose extra de baixaria e miséria.
ALÉM DE principal fonte de receita publicitária da TV Globo nesse período meio morto que antecede o Carnaval, o “Big Brother” deve estar se constituindo como um importante balão de ensaio para a emissora testar a recepção do público ao que se chama de baixaria.
“Baixaria” é daqueles vocábulos muito flexíveis da linguagem coloquial brasileira que são, ao mesmo tempo, genéricos e específicos. A generalidade se dá pela variedade de situações em que se aplica -fala-se de baixaria em relação a costumes sexuais, a comportamentos sociais, a conflitos entre pessoas. Basicamente, qualquer situação de interação humana está sujeita à baixaria. Ao mesmo tempo, quando se fala em baixaria, há uma sinalização clara de que algum limite do socialmente aceitável foi ultrapassado.
Assistir à degradação alheia excita a curiosidade -e boa parte da lógica do espetáculo é regida por essa curiosidade humana sobre as formas da decadência. Quando tudo o mais se mostra ineficiente, nada como uma dose extra de baixaria e miséria para reconectar o público (e não só o da TV, diga-se). Só que o tamanho, a regularidade e a composição exata da dose não são fáceis de definir -se de menos, não fazem efeito, se em excesso, assustam e afastam.
O “Big Brother” versão brasileira, a partir das últimas edições, é um campo privilegiado para se testar quantidades, freqüências e elementos. Desde que a escolha dos participantes excluiu gente mais velha, mais pobre e mais mestiça, de maneira que os 14 eleitos pertençam ao plantel genético e social aceito como “bonito e atraente”, o programa induz à formação quase automática de ficantes, paqueras e até mesmo casais “apaixonados” até a página dois.
Com isso, testa-se a tolerância ao sexo total ou parcialmente não romântico. Mais: na mesma tacada, investiga-se o quanto da armação romântica parece verossímil o suficiente para justificar os agarros e a exibição de erotismo.
Nem se pode mais falar em “personagens” ou em alguma espécie de narrativa, uma vez que todas as fichas foram jogadas na ambientação para que aflorem as “escorregadelas” etílicas, sexuais e éticas.
Nesta oitava edição, parece haver um alerta. Em apenas pouco mais de uma semana, já houve meio de tudo: porre, mão na bunda, pegação no chuveiro, saída (e volta, e saída de novo) do armário, “cachorra” preterida, paixão automática e muita, mas muita, conversa mole e burra. Nem com uma dancinha protagonizada por moças com seios cobertos por espuma a audiência reagiu.
Talvez queira dizer que só baixaria é muito pouco.

Fonte: BIA ABRAMO


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